Shirley King faz ensaio aberto no Studio Rock Café

01

Shirley King realiza ensaio aberto com uma das melhores bandas de blues do Brasil, a Giba Byblos Blues Band, no dia 23 de maio, às 20 horas, no Studio Rock Café (Rua Marechal Deodoro da Fonseca, 110/Santos). Valor: R$ 20,00 (homens), R$ 15,00 (mulher). Algumas casas de São Paulo já exploram esse formato e chega a Santos pela Mannish Boy Produções Artísticas, empresa santista especializadas em blues e jazz.

A artista norte-americana ficará hospedada na cidade e ensaiará com a sua banda para duas apresentações na Virada Cultural do interior, nas cidades de Jundiaí e São João da Boa Vista. A banda é a mesma que acompanha Shirley desde sua primeira vez no Brasil, Giba Byblos (guitarra), Adriano Grineberg (teclado), Paulinho Sorriso (bateria) e Fábio Basili (baixo).

A filha do blues. Não deve ser fácil ser filha do homem que mudou a história da música. Ainda mais quando se resolve cobrir as pegadas do pai no mesmo ramo. Shirley King, filha de B.B. King, sempre teve de conviver com isso. E se há um músico que merece a alcunha de lenda viva, esse alguém é o velho B.B. King, o homem que popularizou o blues pelo mundo.

Ela mesma reconhece que ser filha de uma lenda viva tem seu lado bom e seu lado ruim. Por um lado, pagou o preço emocional por ter crescido com a constante ausência do pai e com medo de cometer qualquer deslize que manchasse sua reputação. Talvez por isso Shirley tenha decidido tarde se tornar cantora profissional, somente aos 41 anos.

Começou com o pé direito em Chicago, a cidade que é considerada a Meca do blues mundial. Em 1990 tornou-se cantora regular no Kingston Mines, uma das principais casas da cidade. Um ano depois gravou seu primeiro disco, Jump Through My Keyhole, o que a levou a excursionar pela Islândia, Itália, França e Inglaterra.

Nascida em Memphis, os pais nunca se casaram o que a levou a alternar sua convivência com ambos. Porém, a cidade proporcionou contato com o ambiente musical e com amigos de seu pai, entre eles Sam Cooke, Jackie Wilson, Albert King, Etta James e Ruth Brown, suas principais influências. “Uma vez subi ao palco e lá estava Etta, meu Deus, não podia acreditar naquilo, ela era uma mulher tão bonita! Ela entrava no palco e mandava ver. Eu queria ser como ela. Hoje quando subo no palco quero ver ação”, lembra Shirley.

A lembrança que tem de Ruth Brown também é a melhor possível: “Ela me ensinou sobre Bessie Smith e Dinah Washington, pois ela fazia parte daquela dinastia. Era uma pessoa muito boa, passou mais de uma hora falando sobre música e show business e eu nunca esqueci isso”.

O DNA artístico se manifestou cedo na vida de king e mesmo muito nova ela já sabia que queria ser entretainer, pois sempre cantava, dançava para os primos e fazia-os rir. Ironicamente, nunca pensou em ser cantora, achava que um dia seria uma dançaria ou atriz. Sua primeira forma de expressão foi como “dançarina exótica” com a anuência de seu pai, desde que seguisse dois conselhos: Nunca se envolver com drogas e prostituição.

Seus shows refletem toda essa energia, certa vez ela estava se apresentando no Days Inn, em Chicago, e sua voz rompia todas as barreiras até chegar à rua, chamando a atenção das pessoas que estavam passando. O detalhe curioso dessa história é que ele cantava sem o auxilio do microfone, somente ao piano. A mais notável característica sobre a voz de King é que ela pode cantar em camadas. Ela sabe mudar de timbre com facilidade. “Minha voz está entre Etta James e Tina Turner”.

Shirley admite que ter um pai ilustre ajudou em sua carreira, mas quem escuta essa verdadeira representante da tradição musical norte americana. “Ser filha de B.B. King tem a vantagem de que todas as pessoas o respeitam, admiram e amam. Mas eu sempre tive de lutar pelo que quero. Saio todas as noites, se não estou cantando, estou em algum lugar tentando ganhar a aprovação dos meus fãs”.

Além de Etta James e Ruth Brown, outra grande influência foi Mahalia Jackson, a quem via se apresentando na televisão. Koko Taylor também é considerada por King como um divisor de águas em sua carreira. “Ela passou muito tempo comigo. Ela me dizia que esse meio é muito duro com as mulheres, os homens não as respeitam. As cantoras são usadas como show de abertura, é difícil ser a estrela principal”. Atuou com os maiores do gênero, entre eles B.B. King, Albert King, Bobby Bland, Little Miton, Koko Taylor, Lonnie Brooks, Eddie Clearwater e Billy Branch.

*Eugênio Martins Júnior – Mannish Boy

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s