‘Amarcord’ de Fellini será exibido no Cineclube Maurice Legeard neste sábado

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O Cineclube Maurice Legeard surge para criar um espaço cujo ofício é discutir o cinema que é inacessível nas salas comerciais da cidade de Santos. A próxima sessão acontece no dia 18 de maio, sábado, às 22h, na Vila do Teatro (Praça dos Andradas). Além de ‘Amarcord’ – clássico do cineasta italiano Federico Felllini de 1973 -, será exibido um curta metragem convidado, a ser divulgado durante a semana pela página do facebook.

O título Amarcord é uma referência à tradução fonética da expressão io me ricordo (eu me lembro), usada na região da Emilia-Romagna, onde o diretor nasceu. O filme conta um ano na vida em Rimi uma pequena cidade costeira italiana na década de trinta, começa com a chegada da primavera, simbolizada em uma chuva de pétalas de flores que invade o vilarejo. E termina na mesma ocasião, só que um ano mais tarde.

Através dos olhos de Titta (Bruno Zanin), um garoto impressionável, o diretor dá uma olhada na vida familiar, religião, educação e política dos anos 30, quando o fascismo era a ordem dominante. Entre os personagens estão o pai e a mãe de Titta, que estão constantemente batalhando para viver, além de um padre que escuta confissões só para dar asas à sua imaginação anticonvencional. Entre tamanhas situações absurdas que são colocadas em tela com certa frequência, emergem signos cinematográficos infindáveis e personagens extremamente bizarros: uma freira anã, uma comerciante com seios gigantescos, um músico cego, um narrador improvisado que aparece e desaparece o tempo todo, um exército fascista dançante, um grupo de esquerdistas amáveis, um (a) mendigo (a) de sexo indefinido que parece não perceber estar sendo filmado, a tradicional bonitona da cidade, uma pavão colorido que caminha e voa pela neve, um padre desinteressado pelos seus fiéis, um tio maluco que sobe em árvores, etc.

Tudo isso caminha em direção a uma catarse belíssima, quando um transatlântico imponente e iluminado passa pela cidadezinha, os moradores sobem em barquinhos e lanchas e se mandam para o alto-mar, com lanches e refrigerantes, para ver o navio passar. Em instantes como esse, Fellini quase consegue fazer o tempo parar; o mar de papel celofane talvez seja uma das imagens mais poéticas que o cinema foi capaz de conceber. ‘Amarcord’ ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1974, e foi indicado ao Oscar de Melhor Direção de ambos e Melhor Roteiro Original, influenciou tantos trabalhos posteriores (o celebrado “Cinema Paradiso”, por exemplo, não seria possível sem “Amarcord”).

*Luiz Fernando Almeida/Junior Brassalotti

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