Márcia Costa lança ‘De Pagu a Patrícia – O último ato’

Nos anos 50 ela já não mais queria ser chamada de Pagu. Depois de trocar a militância política pela militância cultural e pelo jornalismo, Patrícia Galvão chega a Santos (SP) em 1954 para incendiar a cena, atuando como jornalista em A Tribuna, produzindo peças de teatro e eventos literários e difundindo a vanguarda. Esta história é contada no livro ‘De Pagu a Patrícia – o último ato’ (Dobra Editorial / Fundo de Cultura de Santos), da jornalista e pesquisadora Márcia Costa, cujo objetivo é revelar a intelectual por trás do mito.

O lançamento será realizado nos dias: 5 de dezembro, às 19 horas, na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37/São Paulo), e no dia 8, às 16h, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15/Santos), com debates e apresentações artísticas que vão lembrar a produção jornalística e cultural de Patrícia Galvão, cinquenta anos após sua morte, em 12 de dezembro de 1962, em Santos.

Enquanto em São Paulo, a atriz Marisa Matos relê textos jornalísticos e haverá debate com a autora, Geraldo Galvão, Terezinha de Almeida e Sérgio Mamberti (nome a confirmar), em Santos será a vez de Alice Mesquita cantar e Tarso Ramos tocar músicas no piano durante o evento, que também terá performance do Imaginário Coletivo de Arte e debate com a autora, Geraldo, Sérgio Mamberti (a confirmar) e Lúcia Teixeira Furlani. Ambos os debates serão apresentados por Flávio Viegas Amoreira.

Não se trata de uma biografia, mas de uma contribuição para a História Cultural dos anos 50 e início dos 60. A pesquisa iniciou-se durante o curso de mestrado (2006-2008) em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, onde Márcia Costa estudou a coluna Literatura, produzida por Patrícia em A Tribuna, e se estendeu com o estudo da relação de Patrícia com o teatro, registrada na coluna Palcos e Atores, e no levantamento dos fatos históricos que compuseram a cena cultural em Santos e no Brasil daquele período. O projeto do livro foi selecionado pelo Fundo Municipal de Cultura de Santos, que financia a publicação. A obra tem prefácio do compositor Gilberto Mendes, amigo de Patrícia, capa produzida pelo artista plástico Fabrício Lopez (xilogravura) e orelha assinada pelo escritor Flávio Viegas Amoreira.

No jornal A Tribuna Patrícia imprimiu as marcas do seu último ato, onde estão registradas a produção artística da época sob uma visão moderna e cosmopolita. A análise dos artigos de Patrícia e as entrevistas com testemunhas de época permitiram a Márcia narrar a força de Patrícia na luta apaixonada pelo teatro, marcada pela participação na vitoriosa campanha pela construção do Teatro Municipal, na criação da União de Teatro Amador de Santos, no apoio à realização de importantes festivais, no incentivo aos jovens talentos como Plínio Marcos, na formação de grupos amadores e na divulgação e na produção de peças de vanguarda, como Fando e Lis (Fernando Arrabal) e A Filha de Rappaccini (Octavio Paz). “A coluna Literatura também mostra uma Patrícia antenada com as vanguardas da época, e serve de guia para se entender a literatura moderna nacional e internacional, onde ela já destacava autores poucos conhecidos como Clarice Lispector e Fernando Pessoa, e onde traduziu nomes como Blaise Cendrars, Henry Heine e Paul Valéry”, diz a autora.

Pelo mundo da cultura. Para escrever suas colunas sobre literatura e teatro, Patrícia mantinha contato estreito com grandes artistas e intelectuais do período. No prefácio da obra o compositor Gilberto Mendes lembra o interesse dela pela Música Nova, produzida por ele e Willy Corrêa de Oliveira (autor da partitura da peça A Filha de Rappaccnini). Por meio de visitas, correspondências, entrevistas, encontros, resenhas ou envio de livros, Márcia traçou um panorama de contatos de Patrícia Galvão que passava por Sábato Magaldi, Alfredo Mesquita, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Casais Monteiro, Cacilda Becker, Sérgio Milliet, Flávio de Carvalho, Lygia Fagundes Telles, Fernando Arrabal, Jean Paul Sartre, Eugène Ionesco, entre muitos outros citados pela jornalista em a Tribuna.

O vasto material publicado por Patrícia no jornal (que então era editado por Geraldo Ferraz, parceiro amoroso e intelectual) e a sua própria prática no campo cultural se traduzem em verdadeiras aulas. “Ela discutiu o país por meio das vanguardas culturais e artísticas”, explica a autora. “Aprende-se muito com Patrícia Galvão, mulher generosa, forte e polivalente, intelectual por vezes ofuscada pelo mito”.

No blog, o leitor tem acesso a textos jornalísticos de Patrícia Galvão e fotografias do contexto cultural da época. A partir do dia 05 de dezembro o livro poderá ser adquirido no site da Dobra Editorial pelo valor de R$ 35,00.

Márcia Costa. É jornalista e pesquisadora, graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), com atuação em veículos de comunicação, produção cultural e docência. Há dez anos dedica-se à pesquisa sobre imprensa, história e cultura e atualmente prepara doutorado sobre as relações entre comunicação e arte.

*Márcia Costa

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