Entrevista: Ricardo Vasconcellos destaca a 2ª Sansex

Com intuito de valorizar a arte e promover reflexões sobre os gêneros sexuais, a 2ª Sansex – Mostra de Cinema e da Cultura da Diversidade Sexual de Santos será realizada entre os dias 27/nov e 1º/dez (programação), dentro da programação da 1ª Semana da Diversidade Sexual de Santos. Entre as atividades culturais, haverá sessão de cinema no Roxy 4 e no Quiosque da Cris e apresentações teatrais na Tribal Club, Teatro Guarany e Vila do Teatro. Confira a entrevista com o coordenador geral da mostra, Ricardo Vasconcellos:

1) Antigamente o Curta Santos mantinha uma mostra especial de filmes LGBT chamado Curta Cris. Por quais causas essa mostra veio se tornar na Sansex? Dentro do Curta Santos, tínhamos apenas uma sessão especial denominada Curta Cris em homengem a grande personalidade do litioral em luta aos direitos LGBT: a dona do famoso Quiosque da Cris em São Vicente. A sessão era somente um pequeno espaço para as pessoas ávidas em se encontrar, trocar idéias e debater sobre o assunto desse segmento. Visto que não tínhamos nenhuma ação cultural do gênero, resolvemos promover a Sansex.

A mostra aconteceu pela primeira vez em 2011 a sua primeira edição já abrindo espaço para outras oportunidades do movimento LGBT se ver e rever, e as pessoas poderem entender para aceitar melhor nossas diferentes formar de amor. A transferência foi natural, pois podíamos partir para novos formatos e trazer o melhor da arte dentro deste universo, e, assim, agregar mais pessoas para a causa. Hoje a Sansex já é projeto real com repercussão e decisão em nossa Cidade.

2) A Sansex tem como principal bandeira o respeito à diversidade sexual. Na sua visão, a situação de hoje em dia em Santos está muito longe da ideal? Quais direitos ainda faltam garantir à população LGBT? Sempre lutaremos para conquistar o nosso ideal, mas já conseguimos avançar. De um ano pra cá, as autoridades foram sensibilizadas e conseguimos uma semana dentro do calendário da cidade em respeito a Diversidade sexual. A Prefeitura criou um grupo de trabalho junto com a sociedade civil para designar ações ao segmento. Temos projetos culturais e locais que manifestam e divulgam a diversidade com mais aproximação da sociedade. E, assim, podemos interferir com reflexões e atrair maior demanda de pessoas para aceitarem as propostas encaminhadas para a vida cidadã digna do segmento LGBT.

Santos, em seu processo jurídico, avançou muito e temos hoje a possibidade do ingresso ao casamento civil de união homoafetiva sem a necessidade do casal ter antes consumado uma união civil. Aqui, parabenizo a Comissão da Diversidade Sexual da OAB-Santos pelo brilhante trabalho de sensibilização de informação e prestação de serviços que vem realizando durante toda sua existência e culminou neste grande passo. Sem contar o direito de respeito ao nome civil entre os transexuais e travestis nas repartições públicas e o conhecimento das leis de garantias de respeito e contra o preconceito.

Hoje podemos dizer que caminhamos, mas o ideal deverá ser construído com politícas públicas e a participação e aceitação da sociedade em olhar diretamente aos integrantes deste segmento como seres humanos com direitos igualitários como todo cidadão.

3) Por quais razões ainda é difícil superar o preconceito à diversidade sexual? Tudo que gera diferença é complicado o aceite. É uma luta constante de termos hábitos e atitudes que geram bons exemplos e eles sejam as referências para que possamos avançar em conquistas sem os constrangimentos impostos a cada passo. A educação é o alicerce para conseguirmos bons cidadãos e os mesmos conviverem pacificamente, sem julgamentos e, sim, na resolução das dúvidas com observação e respeito.

Projetos sobre este tema devem ser cada vez mais ingressados nas escolas e no ambiente familiar, para que ponderem as atividades atuais e se abram para o conhecer o novo e diferente, para termos o entendimento e, consecutivamente, aceitação. Assim, gradativamente, num futuro proximo, não precisaremos de reconhecimentos de leis para garantias humanas, e, sim, veremos com naturalidade a essência da convivência social.

4) Este ano, Santos mantém temporadas de três peças teatrais que destacam a diversidade sexual. Como você vê a importância do teatro abordar esta temática? Parabéns a classe artística que sempre vem a frente e propõe a sociedade este elo de discussão e conhecimento. Santos ganha com isso! E certamente ainda teremos ainda mais projetos que identificam o segmento, e, assim, futuramente, não será mais necessário esse tipo de classificação. Sempre é um bom atrativo poder conhecer os trabalhos artísticos que estão em cartaz na Região. Vida longa e de sucesso a ‘Dama da Noite’, ‘Sereias de Salto’ e ‘Dentro de Mim Mora Outra’. Todas estão na programação da 2ª Sansex e com entrada franca.

5) Quais são as principais novidades da Sansex para esta segunda edição? Ampliamos o número de dias da mostra e estamos com mais evidência, num papel de mais importância, já que integramos também a programação da 1ª Semana Municipal da Diversidade Sexual.

 

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