Entrevista sobre políticas culturais com Eneida (PSOL)

Nascida em Porto Alegre (RS) em 24 de março de 1961, Eneida Figueiredo Koury é solteira e trabalha como presidente do Sindicato dos Bancários, tendo experiência como bancária e economiária. Eneida é candidata à Prefeitura de Santos e atua no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL/50).

Dentro do seu plano de governo disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (Baixe aqui), ela ressalta sobre a transversalidade entre as pastas da Prefeitura, a valorização da memória cultural popular e dos bens culturais, o fomento de atividades artísticas, especialmente, o incentivo à leitura. Outro levantamento da candidata é a criação de mais espaços culturais nos bairros mais carentes.

O plano de governo também descreve brevemente a atuação do Conselho Municipal de Cultura, já existente em Santos, e, entre as propostas, a promoção de apresentações e festivais gratuitos – eventos que também já acontecem na Cidade. A novidade se encontra no último objetivo do plano, como uma crítica à educação atual: “Introduzir efetivamente diversas expressões culturais em nossas escolas”.

1) No plano, é citado que as gestões municipais estão subordinadas aos interesses da elite empresarial. Essa situação também se reflete em Santos na questão cultural? Quero dizer que não pretendemos apresentar propostas fechadas e acabadas, mas que elas sejam construídas através do diálogo com os protagonistas. Portanto, elas não se esgotam em si mesmas.

Em nosso plano de governo está disposto sobre a democratização das instâncias de decisão, pois, a vontade popular deve ser cumprida pelo poder público e não o contrário, como vemos.

Daí surge a necessidade de tornarmos o Conselho Municipal de Cultura deliberativo e não apenas consultivo. Esta é a primeira proposta.

Quanto à pergunta, no geral, vemos a elite empresarial financiar os espetáculos e produções que mais lhe convém ou seja, que podem dar lucro e o poder público reservar à produção artística um lugar secundário e sem importância na escala de prioridades de gestão. Santos não foge à regra.

2) Sobre a transversalidade política. Pode exemplificar em que ações e projetos transversais podem contemplar a cultura? Projetos que envolvam crianças e jovens em situação de risco ou em conflito com a lei, população de rua, usuários de drogas e também idosos. As Artes tem muito a contribuir para a recuperação da auto-estima e ressocialização destes atores.

3) Sobre a revitalização no Centro, considerando-o como patrimônio histórico, além da Vila Mathias e do Paquetá, como ampliar o uso e o acesso da população desses bairros para fins de cultura? Investir na transformação do entorno da Praça dos Andradas em pólo cultural, com a própria praça acolhendo apresentações culturais, a reativação da cadeia velha com a oferta de oficinas, cursos e apresentações, devolver às ruas as apresentações circenses e valorizar nossos artistas locais.

No Paquetá e Vila Nova, reurbanizaremos estes bairros, fixando seus habitantes através de projeto de moradia popular e lá instalaremos um dos Centro de Cultura que tem por finalidade democratizar o acesso da população à cultura e lazer através da diversidade de apresentações e oferta de cursos.

4) Sobre espaços de cultura e lazer, haverá também pólos na Área Continental? A Área Continental é mais uma das nossas regiões carentes de cuidado público. Com certeza nesta área haverá um Centro Cultural. Pensamos nestes Centros instalados inicialmente no Marapé, Macuco, Vila Nova e Paquetá, Morros, Área Continental e Zona Noroeste (em bairros de grande vulnerabilidade).

5) As expressões culturais ainda não são efetivadas nas escolas de Santos? Então como efetivá-las? Em escolas de período integral, oferecer às crianças atividades formativas de música, dança, teatro, … E esportes e não apenas de lazer, com professores regulares e capacitados e não estagiários.

6) Você já acompanha as mobilizações artísticas e o Conselho Municipal de Cultura? Tenho contato com alguns artistas e grupos de diversas artes e estou a par das dificuldades que este meio enfrenta para divulgar e ter seus trabalhos valorizados pelo poder público. Estou ciente também da necessidade de democratização do Conselho de Cultura.

7) Caso eleita, Santos será integrada no Sistema Nacional de Cultura logo no primeiro biênio da sua gestão? O Plano Nacional de Cultura são metas a serem alcançadas até 2020 e louvo a iniciativa de se propor ações pensando no desenvolvimento cultural do país. Uma de nossas prioridades é a Cultura, portanto, tomaremos todas as iniciativas para inserir Santos no Sistema Nacional de Cultura.

Gostaria de ressaltar que o investimento do governo federal na área da cultura é irrisório, embora o plano de metas enseje aumentar a destinação de recursos, passando de 0,036% do PIB para 0,05% em 10 anos, será insuficiente para que o país tenha o sucesso desejado na Cultura. Devemos, sempre que pudermos, pressionar para que haja mudanças no Orçamento da União, que destina 47% para banqueiros e 0,1% para Cultura, 3% para Educação e 4% para Saúde!

Debate temático. O 10º Curta Santos – Festival de Cinema de Santos promove debate inédito dos prefeituráveis acerca da cultura no próximo sábado (22/set), às 14h, no Cine Roxy 5 (Av. Ana Costa, 443/Santos).

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