Sarau, shows e palestras na 37ª Semana Afonso Schmidt

De 25 a 29 de junho Cubatão celebra a 37ª Semana Afonso Schmidt. Durante esse período, a Biblioteca Municipal recebe uma série de atividades em homenagem ao principal autor da história da literatura de Cubatão. Na segunda-feira (25), às 14 horas, a abertura da semana conta com a apresentação de uma pesquisa sobre o autor feita por Márcio Gregório Sá da Silva. No dia seguinte (26), às 19 horas, será realizado um sarau sobre a obra de Schmidt com integrantes da Sociedade Amigos da Biblioteca e Arquivo Público de Cubatão (SAB).

Na quarta-feira (27) é a vez do “Show do Fuzuê”, com Tótila Artigas, em duas seções: às 9h30 e às 14 horas. Na quinta-feira (28), ocorre a “Hora do Conto”, com Nalva Leal. A programação se encerra na sexta-feira (29), às 14 horas, palestra e lançamento do livro “O Diário de Cecília”, com a escritora Sylvia Manzano (www.sylviamanzano.com).

A vida. Nascido em Cubatão em 1890, Schmidt escreveu mais de 70 títulos. Na biografia “Afonso Schmidt: Escritor da Alma Brasileira” (2007), Francisco Rodrigues Torres e Welington Ribeiro Borges, atual secretário de Cultura, como a família Schmidt chegou ao Brasil, em 1840, e com o nascimento do escritor em 29 de junho de 1890 em Cubatão, na época povoado de Santos. Aos 16 anos, com o apoio da mãe, Odila Brunckenn, publica sua primeira obra, “Lírios Roxos”, que dá início a uma extensa produção. Em “Mocidade”, livro de poemas de 1921, faz uma homenagem ao lugar em que nasceu na poesia “Cubatão”, na qual explora a imagem de lugar de passagem que até hoje é ligada à cidade:

Minha terra não passa de uma estrada,  Um bambual que rumoreja ao vento;  Sol de fogo em areia prateada,  Deslumbramento e mais deslumbramento.   Os autores mostram o perfil cosmopolita do escritor que, ainda aos 17 anos, viaja ao Rio de Janeiro e a Portugal. Na volta, em 1908, trabalha no rio de Janeiro e em São Paulo e, em 1912, inicia outra volta pela Europa, de onde volta com a iminência da Primeira Guerra Mundial. “Por isso, podemos considerá-lo não apenas um escritor de Cubatão, de Santos, de São Paulo. Schmidt era Cidadão do Mundo”, escrevem os autores.

Na década de 20, o escritor inicia nova fase em sua vida, casa-se e trabalha como repórter do O Estado de S. Paulo, onde fica por mais de 30 anos, e no qual conviveu com personalidades como o escritor Monteiro Lobato. A experiência do jornalismo, conta a biografia, serviu de matéria-prima para a ficção de Schmidt: “Os humildes, os desvalidos, as prostitutas, os sem-eira-nem-beira possuíam um defensor, uma pessoa que procurava sempre mostrar o outro lado da meia-noite. Fosse nos romances ou nas colunas dos jornais, o autor primava por essa visão crítica do status quo”.

Dessa fase, podemos destacar obras como “Colônia Cecília” (1942) e “A Marcha – Romance da Abolição” (1941), obra que foi adaptada para quadrinhos em 1955 e para o cinema em 1972, com Pelé no papel principal e estrelado por Paulo Goulart e Nicete Bruno. A biografia traz inclusive imagens do cartaz do filme e da capa da revista. Outra obra de Schmidt adaptada para o cinema foi o volume de literatura infantil “Carantonha” (1952), que nas telas recebeu o nome de “Cara de Fogo”.

Reconhecimento. A década de 40 foi o momento em que a crítica voltou os olhos para a obra de Schmidt. Entre 1942 e 1943, o escritor recebeu três prêmios da Academia Brasileira de Letras: o prêmio Machado de Assis com o romance “A Marcha”, o prêmio Coelho Neto com o livro de contos “Tesouro de Cananéia” (1942) e o prêmio Ramos Paz com a novela “No Reino do Céu” (1942). Com o reconhecimento, foi eleito para a Academia Paulista de Letras e ingressou como sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. E em 1948 venceu um concurso literário promovido pela revista O Cruzeiro, com o romance “Menino Felipe”, em que transformou em ficção suas memórias de infância. A obra seria publicada em 1950.

Depois de homenageado por diversas instituições, Schmidt recebeu ainda, em 1963, o Prêmio Juca Pato como o Intelectual do Ano, cuja solenidade de entrega, em 18 de fevereiro de 1964, contou com a presença de nomes como Cecília Meireles e Jorge Amado. Com problemas cardíacos, o romancista, dramaturgo, poeta, repórter a aventureiro morreria em 3 de abril de 1964, aos 74 anos.

O escritor Marcelo Ariel, criado em Cubatão e um dos principais nomes da nova geração da poesia nacional, destaca a relação de Schmidt com a cidade: “Para Afonso Schmidt, nossa cidade, e isto está mais nítido ainda no seu livro ‘Menino Felipe’, é uma evocação lírica de um Éden que foi destruído e descaracterizado e que pode ser recuperado através das forças da cultura e da educação como designs da vida cotidiana”.

*Alessandro Atanes – Prefeitura de Cubatão

 

 

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