1º Santos Jazz Festival reúne 10 mil fãs

Depois de cinco workshops bastante concorridos, 10 shows no Palco da Rua XV, seis shows mais intimistas no palco do velho Pregão da Bolsa do Café, e uma noite de abertura triunfal no Teatro Coliseu com Hermeto Pascoal, eis que o Santos Jazz Festival finalmente entra em sua reta final, desacelerando aos poucos e já contemplando, com um certo saudosismo, tudo o que rolou em quatro dias de muita música, muita camaradagem entre artistas, e absolutamente nenhuma confusão – algo surpreendente num evento que atraiu 10 mil pessoas. (…)

E então, na noite de domingo (17/jun), em pleno Teatro Coliseu, chega a hora do Santos Jazz Festival encerrar. O primeiro dos dois shows da noite foi uma grata surpresa. O saxofonista e maestro Roberto Sion, santista da gema, veio sozinho ao palco, munido apenas de um sax-alto e uma flauta. Homenageou Tom Jobim, tocou “Brigas Nunca Mais” e “Body & Soul”. Falou de seu pai, que foi um dos fundadores do Clube de Jazz de Santos nos anos 50 e lembrou de Stan Kenton hospedado em sua casa. (…)

E então, para surpresa geral, deixou o sax e a flauta de lado, sentou-se ao piano e tocou algumas canções de que gosta muito, como “All The Things You Are” e uma canção inédita de sua autoria, composta especialmente para Santos no final dos anos 60, quando foi estudar música na Europa, que estava guardada na gaveta e acaba de ser devidamente resgatada.

Chega a hora do segundo e último show da noite. E surge no palco do Coliseu o jovem gaúcho de Passo Fundo, Yamandu Costa. Apesar de seus 32 anos de idade, Yamandu já é veterano: acaba de completar 18 anos de carreira e já tem 15 discos gravados. O que mais impressiona em sua técnica é a maneira irreverente com que mistura diversas estilos diferentes de tocar violão num formato único, vigoroso, intenso e muito dramático.

Yamandu não faz a menor cerimônia ao tocar um choro tradicional como se fosse jazz mamouche, ou uma valsa bem brasileira com toques flamencos – pelo contrário, parece estar sempre se divertindo muito com essas “malcriações” musicais. Mas surpreendente mesmo é ele ter conseguido desenvolver um estilo tão pessoal com apenas 18, 20 anos de idade. Como bem definiu um amigo ainda há pouco, Yamandu é uma verdadeira máquina de tocar violão.

Na apresentação de ontem, ao lado de um violonista e de bandolinista, Yamandu tocou basicamente canções próprias. As exceções foram uma releitura de um belo número de Radamés Gnattali, e um bis com “Carinhoso”, de Pixinguinha – um pequeno mimo para uma platéia que soube se comportar tão bem diante de um recital de mais de uma hora de duração com um repertório nada conhecido.

*Chico Marques – Santos Jazz Festival/Fotos: Fred Cappellato

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