Opinião: O timing de ‘Reclame – Uma História de Amor’ nos faz viajar ao passado

Boi-da-cara-preta, ‘We Will Rock You’, ‘Carinhoso’ ou Marcha Nupcial. Há certas músicas que embalam fases de nossa vida, que nos remetem a bons amigos, ex-namorados e até aos nossos familiares. Trilhas sonoras ideais vindas das rádios tão constantes em nossas salas de estar.

Porém, a nossa vida também é marcada pelos intervalos dessas canções: os comerciais. Como hits que estão bem guardados na mente. É fato que o ritmo do seu pé já acompanha só de você ler ‘Não adianta bater, eu não deixo você entrar…’ ou ‘Três hambúrgueres, alface, queijo molho especial…’

E para provar como também há comerciais que marcaram época, a Cia. Cenicomania apresenta a divina comédia ‘Reclame – Uma História de Amor’, no Museu da Imagem e do Som de Santos (tem lugar mais propício para relembrar aos sucessos do rádio?). O espetáculo é como um programa de rádio, não há hiatos e empolga os espectadores a todo instante, fazendo questão de ressaltar que a peça é para o público, até colocando-o como centro do espetáculo. Afinal, são as cadeiras quem estão no palco.

A afinidade do elenco há quase um ano em temporada melhora a peça. Em vez de parecer desgastados, a direção permite pequenos improvisos dos atores para revigorar a peça. O timing das personagens é ótimo e nos atrai a entrar no espetáculo. A peça é ainda mais convidativa com os produtos comerciais entregues à plateia, a troca de figurinos e as notícias do radiojornal delineando cada década.

Apesar de ser uma viagem dos anos 30 ao 90, os personagens envelhecem mais devagar, numa trama comum às radio e telenovelas: o triângulo amoroso. E embora possa ser uma história batida, o viés cômico se rejuvenesce entre Rodolfo (Fábio Prado), Lourdes (Emanuella Alves) e sua ex-melhor amiga Janete (Cristina Ribas).

Há tantos cuidados entre atores, o autor Sérgio Manoel, a direção musical de Nailse Machado e, claro, a diretora Miriam Vieira, que até é difícil notar as brincadeiras e improvisos de todos os personagens. Aliás, embora o elenco seja maior do que o trio – o próprio Sérgio, Roberto Santos, Guilherme Silva, Cristina Moda, Rinaldo Sant’Anna e o pianista Marcio Dias -, todos têm seus grandes momentos e dão a devida agilidade que pede o teatro.

E é este ritmo bem-humorado e atuação impecável em reclames despercebidos ao longo dos anos que permitem com que a gente viaje pela história da propaganda brasileira e também em nosso próprio passado.

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9 pensamentos sobre “Opinião: O timing de ‘Reclame – Uma História de Amor’ nos faz viajar ao passado

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