Cineclube Lanterna Mágica exibe ‘O Signo da Cidade’

Hoje será exibido no Cineclube Lanterna Mágica o filme ‘O Signo da Cidade’, de Carlos Alberto Riccelli. O longa-metragem faz parte da mostra ‘Cidades Invisíveis’, que traz 14 filmes atuais para representar um pedaço do mundo e deixar visível aos olhos do espectador o que está oculto nas cidades. As exibições serão gratuitas às quartas-feiras, às 16h, na Unisanta (Rua Cesário Mota, 8, Bloco E/Santos).

Sinopse. O filme se passa na cidade de São Paulo e conta a história de cinco personagens: Gil (Malvino Salvador) é um homem casado, porém solitário. Lydia (Denise Fraga) é uma mulher aventureira que gosta de se arriscar na vida. Josialdo (Sidney Santiago) é um homem que nasceu para ser mulher. Mônica (Graziella Moretto) é interesseira e só pensa em se dar bem. Todos ouvem um programa noturno de rádio de astróloga Teca (Bruna Lombardi), que lida com os anseios de seus ouvintes e seus próprios problemas.

Crítica – Érico Borgo. O Signo da Cidade, longa produzido, estrelado e roteirizado por Bruna Lombardi – e dirigido pelo seu marido, Carlos Alberto Riccelli, é uma boa surpresa. Figurinhas carimbadas da Mostra de São Paulo, o casal tem gosto para o cinema – estão sempre nos melhores filmes (furando a fila, mas estão) – porém jamais refletiu isso em seus trabalhos.

Signo  chega para definitivamente mudar isso. No estilo consagrado por Robert Altman, do filme com vários personagens, várias histórias paralelas que se cruzam (ou não) em algum ponto, o drama mostra a cidade de São Paulo, a grande personagem do drama, sem os lugares-comuns (humanos e cenográficos) a que estamos acostumados. A fotografia, quase totalmente noturna, é atraída por detalhes pouco usuais, sem tentar embelezar a nossa feia cidade, mas a enchendo de interesse. Os diálogos são verdadeiros, os personagens são interessantes e suas histórias poderiam estar acontecendo agora mesmo nesta que é uma das maiores cidades do planeta.

O centro desse cosmo de pessoas é a astróloga Teca, vivida por Lombardi. Tudo gravita mais ou menos ao redor dela. Há seu pai enfermo, com quem ela não fala; a equipe do hospital; o jovem que a perturba, viciado em leituras astrais; sua amiga e produtora de programa de rádio; seu vizinho e a esposa drogada; uma junkie de quem ela decide cuidar; a mãe adotiva que guarda um segredo…

Sim, só há desgraças no filme – e esse é justamente o problema do roteiro. A visão da roteirista da grande cidade, apesar de ter uma dose de otimismo ao final, exagera ao pintar apenas o lado triste, melancólico, da vida urbana. E tome suicídios, overdoses, assaltos, balas perdidas, mortes, espancamento. Também falta respiro ao filme, que condensa histórias demais, acontecimentos demais. Apaixonados por todas as histórias, o casal não soube equilibrar seu filme e cortar algumas. Há pouquíssimos momentos em que podemos parar e apreciar alguma cena, e quando eles acontecem, como na seqüência de Juca de Oliveira (o pai moribundo) e a enfermeira, o filme mostra o que poderia ter sido. Outro trecho que funciona mal é o final, que se arrasta cena após cena, terminando e voltando a terminar. Novamente, nada que um olhar mais crítico não tivesse identificado e corrigido.

De qualquer maneira, confesso que esperava muito pouco – quase nada mesmo – de O Signo da Cidade, pelo retrospecto das tentativas frustradas de Lombardi e Ricceli de emplacarem lá fora, em pastos mais verdes. Assim, foi com surpresa que me senti conquistado pelo filme, uma produção tipicamente paulistana. Quem diria… os nossos mirradospastos é que dariam aos dois seu grande trabalho.

*Omelete/AdoroCinema/Cineclube Lanterna Mágica

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