‘Tudo pelo poder’ pode ser conferido no Cine Arte Posto 4

O filme ‘Tudo pelo poder’, do ator e diretor George Clooney, pode ser visto a partir desta sexta-feira (9) até dia 15, no Cine Arte Posto 4 (praia do Gonzaa). Além de George, o filme tem no elenco: Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman e Paul Giamatti. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$ 3,00. Sessões: 16h, 18h30 e 21h.

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Sinopse. Stephen Myers (Ryan Gosling), um idealista membro da equipe do candidato à presidência dos Estados Unidos Mike Morris (George Clooney), cai na real ao descobrir as sujeiras em torno da política na corrida pela Casa Branca. Em especial, um caso de corrupção que ameaça a promissora campanha de Morris.

Crítica – por Marcelo Hessel. A alusão a Barack Obama em Tudo Pelo Poder (The Ides of March) está clara no pôster que emula o artista plástico Shepard Fairey, que criou em 2008 o célebre cartaz “Hope” para a campanha do atual presidente dos EUA. Mesmo que não houvesse o pôster, porém, a sombra de Obama paira no ar – e a decepção com o seu governo dá o tom deste quarto filme de George Clooney.

Baseado na peça Farragut North, de Beau Willimon, o filme se passa em Des Moines, Iowa, algumas semanas antes de o partido democrata, o mesmo de Obama, escolher seu candidato para concorrer à presidência dos Estados Unidos. A trama é centrada no idealista diretor de comunicação Stephen Myers (Ryan Gosling), em campanha para que o governador Mike Morris (George Clooney) vença as primárias. Em questão de dias, derrotado pelo jogo político e por revelações íntimas, o idealismo de Stephen é reduzido a zero.

Farragut North é o nome da estação de metrô que dá na região dos escritórios de advocacia e consultoria onde trabalham os lobistas mais influentes de Washington. O lobby sempre esteve no centro do tal “jogo político”, mas o roteiro trata isso com espanto – como se a desilusão com Obama, o Fim da Inocência, só agora abrisse os olhos de todo o mundo para as negociações mais velhas e manjadas da balança política.

Em Tudo Pelo Poder, essa desilusão provoca uma “dinhoouropretização” momentânea do debate: o jogo é nivelado por baixo, porque afinal, como cantou no Rock in Rio o vocalista do Capital Inicial, “todo governo é ruim”. À superfície tudo parece muito firme. O excelente elenco está seguro de si, Gosling mais uma vez demonstra sua presença de cena, e Clooney escolhe planos e ângulos também com segurança. No seu discurso, porém, apesar de toda essa aparente solidez, Tudo Pelo Poder treme de ressentimento, escandalizado com o que vê.

Em tese, não há nada de errado nisso. O problema do filme é que, nesse estado de escândalo, realismo se confunde com cinismo. A trama se desenrola em duas frentes: na primeira, o candidato flerta com o senador interpretado por Jeffrey Wright, cujo apoio, embora seja moralmente reprovável, ajudaria demais na campanha de Mike Morris; na segunda, Stephen flerta com uma voluntária em Iowa, Molly (Evan Rachel Wood), e a relação sexual dos dois desencadeia as tais revelações que dizimam o idealismo de Stephen.

Como essas duas frentes são paralelas (Stephen encontra Molly e, no plano seguinte, acontece o flerte com o senador), o filme dá a entender que ambas são naturais no “jogo político”. É aí que o realismo (quem quer vencer precisa de alianças) se mistura com o cinismo (não há pureza nem no amor). Para George Clooney – que como todo arauto da esquerda em Hollywood deve hoje se penitenciar por ter se apaixonado pela utopia Obama – tudo que a política toca corrompe-se.

É muito provável que Tudo Pelo Poder consiga uma ou outra indicação ao Oscar (seu elenco sem dúvida faz por merecer), mas, ao tratar a política como um caso de polícia, não tem nada a acrescentar ao debate democrata. Filmes recentes como o excelente francês O Exercício do Estado ou mesmo o hollywoodiano Margin Call são muito mais sóbrios diante da realidade do mundo dos adultos, e não se rendem à saida fácil do fatalismo.

*Omelete/Prefeitura de Santos/Cine Arte Posto 4

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