Quinta-feira é dia de bate-papo beneficente sobre Oscar

A cerimônia de entrega do Oscar acontece no próximo domingo e não falta quem esteja apostando todas as fichas no longa A Invenção de Hugo Cabret como o grande vencedor. A razão é bem simples: é o filme que concorre a mais prêmios, 11 no total. Só que isso, apenas, não quer dizer nada.

Quem garante é o cinéfilo Waldemar Lopes que, logo mais, às 20 horas de hoje, na sala 1 do Cine Roxy do shopping Patio Iporanga, promove seu já tradicional bate-papo sobre a mais charmosa e importante premiação do cinema,

“Há precedentes na história do Oscar, ambos também com 11 indicações. São Momento de Decisão (1977, do diretor Herbert Ross) e A Cor Púrpura (1985, Steven Spielberg). Não ganharam nenhum prêmio”.

Por estas e outras que a premiação da academia nem sempre segue o ‘roteiro’. Também questiona-se, sempre, a justiça na entrega da cobiçada estatueta dourada. “O Oscar é um dos mais antigos prêmios do cinema, começou na década de 1920 e continua a gerar polêmica, bem como atrai a atenção de milhões de pessoas. É tão valorizado que costuma ser referência para outras premiações. É comum ouvirmos que tal prêmio é o Oscar do teatro, da televisão e até mesmo do Carnaval”.

Mas, avisa Waldemar Lopes, a academia costuma reparar as injustiças concedendo o Oscar Honorário, normalmente como reconhecimento pelo conjunto da obra, como fez com Alfred Hitchcock e Charles Chaplin. “Leonardo DiCaprio, que é um ótimo ator, mesmo indicado, nunca ganhou. Parece que para ter sucesso e vencer ele precisa fazer um papel totalmente contrário aos que fez”.

OUTRAS APOSTAS

Como o que importa é a premiação de domingo, Waldemar diz que neste ano não há a concentração em dois filmes, ou seja, um duelo de gigantes, como geralmente acontece e no ano passado foi com O Discurso do Rei e A Rede Social.

“Todos os olhos estão voltados para O Artista, um filme francês do diretor Michel Hazanivicus, que certamente não será sucesso de bilheteria por ser mais cult, e ir contra tudo em nossa atualidade de era do HD digital. É um filme que homenageia e resgata o próprio cinema, o que certamente agrada muito aos membros da academia.

Um pouco por fora, como Melhor Filme, corre Os Descendentes (George Clooney)”. Sucesso de bilheteria e Oscar garantido não é uma equação matemática exata. O cinéfilo e professor de inglês lembra de Guerra ao Terror, fracasso entre o público, mas que abocanhou seis estatuetas em 2010. Falando em prestar homenagem ao cinema, Waldemar cita também A Invenção de Hugo Cabret (do diretor Martin Scorsese). “De que gosto muito, mas não o vejo como favorito a Melhor Filme”.

No entanto, alerta, como a cada ano os membros da academia acabam por escolher algo que reflita o momento, A Invenção de Hugo Cabret pode levar. “Ele resgata a essência do cinema, e tem tudo a ver com o seu diretor (Scorsese), que sempre faz algo relacionado à memória, ao resgate da sétima arte”. Os Descendentes, acredita, também tem chance, mas na categoria ator. “Ele tem carisma, é um bom ator, e a academia gosta dele. Quando ele ganhou como ator coadjuvante, ao subir para receber o troféu, disse que, sendo assim, não ganharia como diretor. Acertou”.

Para Melhor Ator e Atriz, Waldemar aposta em Jean Dujardin (O Artista) e Meryl Streep (A Dama de Ferro). No caso dela, entende o cinéfilo, ser indicada já é um prêmio devido à idade e à sua condição: convites não faltam, faz o filme que quer, é adorada e respeitada, e não precisa provar mais nada. Ela é campeã de indicações (são 17, até hoje) venceu duas vezes, a última em 1982 com A Escolha de Sofia.

Não é o caso de Viola Davis (Histórias Cruzadas). Ela precisa de um impulso na carreira, apesar do talento comprovado. “Se ela vencer e Octavia Spencer (também de Histórias Cruzadas, em quem aposto) ganhar o de atriz coadjuvante, será sensacional. Não é costume a academia premiar atores e atrizes afrodescendentes. Na história do Oscar somente 12 venceram, sendo que Denzel Washington possui dois: ator e ator coadjuvante”.

Para ator coadjuvante, Waldemar aposta no veterano Christopher Plummer, indicado pelo trabalho em Toda Forma de Amor. “Ele faz um gay, o que é totalmente o oposto do seu papel mais famoso, como o capitão no filme A Noviça Rebelde. Mas não descarto Max von Sydow (Tão Forte e Tão Perto). Dois gigantes”. A torcida e os votos do palestrante de logo mais para diretor vão para Michel Hazanivicus (O Artista), mas não se pode deixar de fora nomes como Wood Allen (Meia-Noite em Paris), Terrence Malick (A Árvore da Vida) e Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret). Roteiros original e adaptado, respectivamente, ganham a preferência de Waldemar Lopes Meia-Noite em Paris (escrito por Woody Allen) e Os Descendentes (Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash).

O curioso vem na categoria Melhor Filme de Língua Estrangeira, com A Separação, do Irã, porque, vale lembrar, é um país considerado inimigo dos EUA. Vencerá a arte ou a política? Canção Original deve ser escolhida Real in Rio, da produção Rio (Carlinhos Brown, Sérgio Mendes e Siedah Garret) e filme de animação deve dar O Gato de Botas.

Waldemar chama a atenção para mais um profissional brasileiro entre os indicados (em Efeitos Visuais), o gaúcho Rodrigo Teixeira, que trabalhou com Scorsese em A Invenção de Hugo Cabret.

Além da palestra de hoje, outro evento terá lugar no Cine Roxy 5. Domingo, a partir das 21h45, será exibida, ao vivo, a cerimônia do Oscar, com comentários de Waldemar e de Gustavo Klein, editor de Cultura, de A Tribuna.

*Jornal A Tribuna

 

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