‘Realidade Re-Vista’ é conteúdo indispensável para quem pretende seguir no jornalismo

A não obrigatoriedade do diploma para quem pretende atuar no Jornalismo gerou uma série de discussões. Mas nem por isso, as principais universidades abriram mão do curso. Há quem defenda que orepórter é formado na prática. No entanto, os principais veículos e agências decomunicação ainda contratam os melhores alunos das faculdades do ramo e que já possuem certa experiência na área. Assim, nada melhor que ter a chance deestudar e conseguir bons estágios, para ingressar no mercado.

Por esse prisma, o livro “Realidade Re-Vista”, da Realejo Edições, finalista do Prêmio Jabuti2011, o “Oscar” da literatura brasileira, é conteúdo mais que necessárioaos aprendizes e professores. Nele, os jornalistas José Hamilton Ribeiro e José Carlos Marão relembram a fórmula revolucionária utilizada pela equipe de redação da revista “Realidade”(1966-1976), que levou a publicação a ser considerada uma das mais importantes já produzidas no Brasil. Com prefácio assinado por Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, a obra analisa os métodos adotados pela redação da revista, traz histórias de bastidores de algumas de suas principais matérias e revela casos em off de muitas reportagens.

“Realidade”, depois de seu sucesso, foi considerada por alguns acadêmicos, a publicação que lançou o new journalism, no Brasil. “Era uma revista de autores”, definiu Paulo Patarra, primeiro redator-chefe da publicação.

Sua principal característica era a abordagem criativa, às vezes com relatos em primeira pessoa, de temas considerados controversos até hoje,a exemplo do divórcio, sexo na juventude, pílula anticoncepcional, celibato na igreja, educação sexual para crianças e jogo do bicho, entre vários outros.

Porconta da ousadia, a revista chegou a ter uma de suas edições, em janeiro de 1967, apreendida pela justiça. “Iconoclasta, irreverente, investigativa ecorajosa, ‘Realidade’ renovou a arte da reportagem, questionou tudo, derrubou tabus, revelou um país praticamente desconhecido para uma nova geração de leitores e entrou na história como exemplo de jornalismo inesquecível e transformador”, define Roberto Civita.

“Realidade Re-vista”nasceu de um desafio proposto por José Hamilton Ribeiro a José Luiz Tahan, durante visita do jornalista a Santos, para um evento na livraria: a proposta era que a Realejo colocasse no papel e deixasse registrado para a história essa fase marcante do jornalismo brasileiro. Tão marcante que até hoje a“Realidade” continua sendo tema frequente de estudantes de jornalismo em seust rabalhos de conclusão de curso, teses de mestrado e doutorado. O início da concepção do livro está no prefácio da obra.

Dividido por temas, o livro tem, em cada capítulo, três tipos de texto: a apresentação, que explica como a revista tratava aquele assunto; as reproduções de matérias da época e o em off de cada reportagem. Essa estrutura exigia uma solução especial de projetovisual. O problema foi brilhantemente resolvido pelo Diretor de Arte, Alberto Mateus, que conseguiu dar uma personalidade visual própria para cada texto, o que torna a leitura fácil e agradável. E as matérias da época foram consideradas pelo escritor Celso de Campos Jr, que comentou o livro, como”surpreendentemente atuais”.

*André Azenha – Realejo Edições

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