‘Histórias Cruzadas’ não é só um filme em torno de banheiros

Muito mais do que um filme de mulherzinha, ‘Histórias Cruzadas’ traz em cena, no mínimo, os dramas raciais das mulheres do Mississipi (EUA) na década de 60. O filme é dirigido, produzido e adaptado pelo estreante Tate Taylor, amigo de infância da escritora do livro homônimo, Kathryn Stockett. O longa-metragem envolve a todos os públicos: independente de raça, cor e gênero. E sobre gênero, é até difícil catalogar o filme e não se lembrar das tragédias de ‘A Cor Púrpura’ (1985) e, ao mesmo tempo, da comédia ‘Mulheres Perfeitas’ (2004).

O tom naturalista é o ponto forte de ‘Histórias Cruzadas’. Durante as mais de duas horas de duração, a obra desenvolve as personagens e as torna em verdadeiras protagonistas. Em torno da questão de banheiros raciais, a jornalista Skeeter Phelan (Emma Stone, ‘Zombieland’) retorna à sua cidade natal e decide enfrentar sua amiga racista Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard, ‘A Dama na Água’): escrever um livro sobre as vidas das empregadas negras e provar que cor não é sinal de submissão.

Enquanto procura sua antiga babá, Skeeter também vai ganhando confiança de outras duas empregadas negras desprezadas pelos seus patrões, como a insegura Aibileen (Viola Davis, ‘Doubt’) e a debochada Minny (Octavia Spencer), ex-doméstica de Hilly. Numa época em que brancos não podiam sequer visitar negros, os depoimentos de Aibileen e Minny à jornalista levam o espectador à comoção e à inquietação.

O clima de comédia se dá na caricata boa mãe-de-família, Hilly Holbrook – a pronúncia do nome já é um estereótipo. A vilã é responsável que o público ria do comportamento racista da sociedade norte-americana no século passado. Um filme sobre essa temática em pleno ano eleitoral é também relembrar que o país superou o preconceito ao ter um presidente negro.

Na contramão de Hilly, sua rival Celia Foote (Jessica Chastain, ‘A Árvore da Vida’) é mais moderna, atual, e, por isso, rejeitada pelas outras mulheres. Fechando a lista das protagonistas, Celia, ao contratar Minny, trata-a como uma humana, como irmã. Aliás, Minny faz parte da melhor cena do filme ao cozinhar uma torta à ex-patroa.

Em cenários extravagantes e coloridos, o roteiro intimista tem o ritmo certo, conduz o espectador sobre os conflitos de cada uma das quatro protagonistas, como a auto-estima, a independência profissional, a violência doméstica e a gravidez. Com personagens carismáticos e populares, o filme é um dos principais concorrentes ao Oscar de 2012.

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