Comédia musical aborda limitações e preconceitos

A peça ‘Seis Aulas de Dança em Seis Semanas’, com Suely Franco e Tuca Andrada, e coreografia de Carlinhos de Jesus, será encenada sábado (21), às 21h, e domingo (22), às 20h, no Teatro Municipal Braz Cubas. A comédia, do escritor americano Richard Alfieri, já foi traduzida para mais de 12 idiomas e apresentada em cerca de 20 países.

Sob direção de Ernesto Piccolo, a comédia aborda lembranças, limitações e preconceitos entre dois universos distintos: uma senhora de 72 anos e um professor de dança de 45. As entradas, a R$ 60,00, estão à venda na bilheteria do Municipal (Av. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias), das 14h às 19h, ou pelo Compre Ingressos, no telefone 4062-0177. Estudantes, professores e pessoas com mais de 60 anos pagam meia. Classificação: 12 anos. Informações: 3226-8000.

Crítica – Amanda Santoro. No papel da septuagenária Lily Harrison, a atriz Suely Franco emociona. E esse sentimento parece ser universal, afeta inclusive os mais jovens, como eu, que ainda não pararam para pensar nas limitações que a vida impõe com o passar dos anos – seja por questões físicas, psicológicas ou sociais. Sempre muito elegante, a senhora mostra que tem “pedigree” do começo ao fim. Solitária e com problemas de sociabilidade, ela contrata um professor de dança com a desculpa de que anseia aprender ritmos variados. A verdade é que Lily é uma pé de valsa sem tirar nem por, e as aulas profissionais servem apenas para que ela tenha um parceiro apto a fazê-la colocar a sua habilidade em prática.

Do outro lado da moeda, e com pitadas de comédia mais evidentes, Tuca Andrada dá vida ao professor quarentão Michael Minetti. Bastante desbocado, explosivo e com modos nada polidos (que diferem dos trejeitos moderados de Lily), Michael mostra-se muito mais sensível e inseguro do que a sua imagem transparece. Tão solitário quanto a septuagenária, o dançarino – entre uma discussão e outra – começa a criar laços de afeto com a idosa, selando entre ambos uma relação de amizade verdadeira.

A montagem, então, passeia pelos gêneros do drama e da comédia com certa naturalidade. Minha crítica fica para o tom extremista adotado em algumas passagens. Levar em consideração o lema “nem tanto ao céu, nem tanto à Terra” não cairia mal. Em questão de instantes, o clima muda da descontração para o dramalhão, e o público pode levar um choque. Isso soa um pouco artificial demais, até mesmo para uma peça.

O cenário e a iluminação não comprometem o andamento da história, mas ainda considero as transições temporais entre uma aula de dança e outra muito demoradas. Sim, precisamos entender que passou uma semana, que anoiteceu e amanheceu, mas o tempo empregado aí me parece um pouco exagerado. Quanto às atuações, nada tenho a dizer além do clichê: impecáveis.

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