‘Late Bloomers’ entra em cartaz no Cine Posto 4

Até o dia 15/dez, o Cine Arte Posto 4 (Praia do Gonzaga/Santos) exibe a comédia dramática ‘Late Bloomers – O amor não tem fim’. O filme europeu é dirigido por Julia Gavras e tem no elenco: William Hurt, Isabella Rossellini, Doreen Mantle, Kate Ashfield, Aidan McArdle, Arta Dobroshi, Luke Treadaway, Leslie Phillips, Hugo Speer, Joanna Lumley. Os ingressos custam R$ 3 e as sessões são às 16h, 18h30 e 21h.

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Sinopse. Casados há 30 anos, Mary (Rossellini) e Adam (Hurt) passaram mais da metade de suas vidas juntos, criando os filhos e aguardando a chegada de uma fase mais tranquila. No entanto, percebem que estão envelhecendo e começam, cada uma à sua maneira, a enfrentar essa nova realidade. Adam vê sua carreira e situação financeira não serem tão prósperas como antes e Mary começa a apresentar indícios de demência.

Crítica – Heitor Augusto. Não é novidade que um filme de Julie Gavras consiga se aproximar de temas delicados com um charme que atenua as dores no meio do caminho. Se em A Culpa é do Fidel!, uma menina filtrava a dureza e sequelas do tema (militância política), emLate Bloomers – O Amor Não Tem Fim o envelhecimento é o assunto da filha de Costa-Gavras.

Os traumas são aliviados, as passagens menos dolorosas. Um filme educativo, no qual os personagens começam desconhecendo algo e, após a jornada compartilhada pelo espectador, “aprendem” uma lição para seguir vivendo.

O bom da atenuação típica de Julie é que um público mais conservador que passaria longe de um filme sobre aprender a envelhecer dará uma chance a Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim e, provavelmente, não vai se decepcionar. O ruim é que abrandar na abordagem implica deixar de aprofundar e investir nas dores, o que também faz parte do processo de amadurecimento.

Tais escolhas tornam Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim um filme leve, apesar da potencial aspereza da história; divertido e aprazível, porém superficial; personagens com empatia, mas repetições clichês; charmoso, todavia previsível.

Quem guia a história escrita por Julie Gavras e Olivier Dazat é um casal vivido por William Hurt, cujo olhar guarda uma indecifrável tristeza desde O Beijo da Mulher-Aranha, e Isabella Rossellini, atriz que consegue dar uma pitada de humor às suas personagens. O filme abre com Adam (Hurt) ganhando uma medalha por seu trabalho como arquiteto. Passam alguns minutos e sua esposa Mary (Isabella) percebe que estão ficando velhos. O que fazer?

O poder de sedução de uma mulher que chegou aos 60 (uma das melhores cenas do filme é a cantada no café), a necessidade de confirmar a virilidade para o homem, a obrigação de se reinventar, a falácia do discurso da “Melhor Idade” e outros assuntos passam com sensibilidade por Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim.

Porém, a cada sinal de entrar a fundo numa questão, o filme prefere puxar o freio. Um momento cômico sucede um dramático, uma sequência musical alivia o drama e assim o filme segue. Um tom parecido com Elsa e Fred – Um Amor de Paixão.

Sem muitas surpresas, mas com um potencial claro em seduzir quem olha para a velhice como uma questão próxima. Numa sociedade cada vez mais conservadoram que cria um discurso eufemista para a idade, como viver os 60 com os benefícios que o tempo traz, mas sem cair nas armadilhas do comportamento infantilizado e vazio de viver como nos 20?

Late Bloomers – O Amor Não Tem Fim é um comentário en-passant sobre isso.

*CineClick/Cine Arte Posto 4

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