Autor da ‘Geração 00’ lança romance dia 26 em Santos

 O escritor paulistano Marcelo Mirisola, expoente da “geração 00”, lança o romance Charque, na cidade, em 26 de dezembro, um sábado, 19h. A sessão de autógrafos acontecerá na livraria Realejo. Munido de uma prosa mordaz, o autor em seu 12º livro se funde com o narrador que aponta os dedos inclementes para as fissuras no quadro da realidade brasileira. Dos descaminhos de sua vida aos personagens que se notabilizaram no imaginário nacional, o romance-biografia apresenta um bestiário rico e sarcástico deste lugar chamado Brasil.

Com a intenção de “enfiar a ‘primeira pessoa’ no seu devido lugar”, Mirisola escava sua memória-imaginação. O que temos em Charque é Marcelo Mirisola em seu melhor estilo, confundindo numa só tacada os limites da ficção e da biografia, da verdade e da mentira. Tudo regado por uma linguagem que seduz e intimida por sua beleza e veracidade.

As memórias de Mirisola, ou melhor, do narrador, não admitem idealizações ou escapismos. Levam o leitor à beira do abismo onde, com tom de galhofa, ele aponta para si mesmo sem esconder o riso.  “Confesso que é difícil não me gabar: mas sempre fiz as escolhas adequadas. Tanto fazia se errava ou acertava o alvo. Sempre foi assim. Até hoje é assim”, escreve o autor.

Este ser que vive acossado entre o “menino de olhos amendoados” da infância e o “tiozinho do espelho” dos dias de hoje narra uma vida cheia de mazelas, embates, ereções e outros lirismos. Confessa o inconfessável, persegue aquilo que todos buscam escamotear, coloca o dedo em suas próprias feridas e cutuca a onça sempre com vara curta: “Antes da Mercearia São Pedro (…), os despachantes, digo, meus colegas escritores, se reuniam no Bar Balcão, nos Jardins. Não existia o benefício da dúvida: todos eram gênios e iluminados.”
 
Percorrer as linhas de Charque é confrontar-se com um mundo que, longe de perfeito, mostra suas rachaduras. O narrador não se cala, não omite nada e nos desfralda a bandeira da mentira e da candura. Esse amontoado de carne, esse charque, vai sendo exposto camada por camada, linha por linha, sem nenhum medo ou outro tipo de exibicionismo.

*André Azenha – Imprensa Realejo Livros

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