‘Balada do amor e do ódio’ é destaque no Cine Arte Posto 4

‘Balada do amor e do ódio’ é o filme que fica em cartaz a partir desta sexta (11) até o dia 17, no Cine Arte Posto 4 (praia do Gonzaga). A comédia dramática conta a história de Xavier e Sergio, dois palhaços que disputam a afeição da mulher mais bonita do circo onde trabalham. Dirigido por Álex de la Iglesia, o filme conta no elenco: Carlos Areces, Antonio de la Torre, Carolina Bang, Manuel Tallafé, Alejandro Tejerías, Manuel Tejada, Enrique Villén, Gracia Olayo, Sancho Gracia . Ingressos: R$ 3,00. Sessões: 16h, 18h30 e 21h.

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Sinopse. Durante a Guerra Civil espanhola , o Palhaço Branco, recrutado a força pela milícia destrói a foiçadas os soldados do Exercito Nacional sempre vestido de palhaço. Muitos anos depois, Xavier, o filho do palhaço vai trabalhar como o Palhaço Triste num circo onde encontra figuras das mais extraordinárias. Ali ele encontra Sergio, outro palhaço. É o início da historia dos dois na luta pelo amor da mais bonita e sedutora mulher do circo  

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Crítica – Celso Sabadin. Teremos num curto espaço de tempo pelo menos dois filmes onde palhaços de circo são os protagonistas: O Palhaço, de Selton Mello, previsto para 28 de outubro, e Balada do Amor e do Ódio, agora para o final de julho. Tirando o fato de ambos serem rodados no ambiente circense, nada mais os une. Enquanto o filme de Selton é terno e afetivo, o do basco Álex de la Iglesia é cruel e provocativo.

E não poderia ser diferente. Quem já viu, por exemplo, Perdita Durango, A Comunidade ou Crime Ferpeito (grafado dessa maneira mesmo), sabe que De la Iglesia é um cineasta visceral, de poucas concessões comerciais, e chegado a soluções extremadas.

Em seu novo filme, ele roteiriza e dirige a história de Javier (Carlos Areces), um palhaço triste, que teima em trabalhar no circo, mesmo sabendo que não tem nenhum talento para isso. Ele entra em rota de colisão com outro palhaço, Sergio (Antonio de La Torre, de Lope), pelo amor da bela trapezista Natalia (Carolina Bang). Porém, Sérgio é um psicopata dos mais crueis, que comanda seu circo e sua companheira com extrema violência. Que o confronto entre os dois será inevitável, isso é fácil de perceber. Difícil é prever a dimensão radical de sentimentos e ações exacerbadas em que Javier e Sergio se envolverão.

Uma violência que – é importante dizer – nada tem de gratuita. Com sua alegoria cruel e estilizada, De la Iglesia traça um perturbador painel metafórico da Espanha da era do ditador Francisco Franco (1938-73), então um país comandado por um palhaço psicopata. A ação do filme se inicia nos primeiros anos da ditadura franquista e, não por acaso, tem seu ápice final no gigantesco crucifixo do Valle de los Caídos, imponente monumento que o caudilho mandou construir para si próprio.

Balada do Amor e do Ódio é o retrato da avassaladora destruição moral que décadas de ditadura podem ocasionar sobre toda uma sociedade. Um filme denso, forte e instigante que foi indicado a 16 Goya (ganhou dois) e que levou os prêmios de direção e roteiro no Festival de Veneza.

*CineClick/Cine Arte Posto 4/Prefeitura Muncipal de Santos

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