‘A Pele que Habito’ inspira-se em terror e melodrama

A mais nova parceria entre o diretor Pedro Almodóvar (‘Volver’, ‘Abraços Partidos’) e o ator Antonio Banderas (‘Era uma vez no México’, ‘Shrek’) é o thriller autoral ‘A Pele que Habito’. O novo filme cinzenta reinventa o diretor. É difícil classificar o gênero do filme, que ora tende ao terror, ora é um puro sarcasmo de um melodrama. Daí, o certo entrosamento das músicas clássicas com os exageros da trama em cena. Coisas de latino, penso.

Exagero a tal ponto que parece estar num desfile onde os três personagens principais (Robert, Vera e Marília) podem ser interpretados já pelo cenário – repare nos cenários em torno de Vera. Ao mesmo tempo, Almodóvar consegue alcançar o tom intimista pela fotografia por vezes próxima dos rostos do elenco, cheira a telenovela.

Mas o melodrama de Almodóvar é bem cuidado, inspirado no livro ‘Tarântula’, de Thierry Jonquet. A narrativa que até metade do filme você pensa que não há conflito (e ainda assim intriga os espectadores), na verdade é um roteiro bem elaborado que somente a partir dos 40 minutos explica todas as causas e conseqüências do mais novo experimento de Robert Ledgard (Antonio Banderas).

O cirurgião, afinal, consegue desenvolver uma pele mais resistente às queimaduras e picadas de insetos. Contudo, suas experiências são feitas em Vera (Elena Anaya, ‘Lúcia e o Sexo’) sem passar pelas questões éticas, logo sendo condenado pela comunidade acadêmica. O tom moralista atravessa várias vezes o filme em que Robert perde esposa e filha em graves acidentes e busca solução e vingança há seis anos ao tentar criar essa nova ‘pele humana’.

E nem mesmo a forma medieval que o cirurgião controla sua cobaia faz com que você sinta raiva dele. A sucessão de fatos na ordem que o filme aponta faz com que cobaia e médico sejam ambíguos e, portanto, a gente se identifique com os dois. Até nos identificamos com Marília (Marisa Paredes, ‘A Espinha do Diabo’) a brilhante governanta, mãe e cúmplice de Robert.

‘A Pele que Habito’ explora bem as condições humanas desde as intrigas às cenas de sexo. Ao todo, pode ser visto como uma crítica à sociedade atual (a obra se passa em 2012), já que cada vez mais personalizamos os objetos e usamos as pessoas.

Verde-e-amarelo. Quando assistir o filme pela segunda vez, repare que Robert é brasileiro – o País das cirurgias plásticas – e tem outras características nacionais. Flashes nas favelas, o carnaval, uns quadros de Tarsila do Amaral na casa do cirurgião. Até na trilha, com a despercebida ‘Pelo Amor de Amar’, interpretada pela eterna cantora de rádio Ellen de Lima. E, sim, Gal é uma homenagem de Almodóvar à Gal Costa.

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Um pensamento sobre “‘A Pele que Habito’ inspira-se em terror e melodrama

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