Pianista Antonio Eduardo aborda sobre o MuC

Após três concertos que percorreram praticamente o segundo semestre de 2011, a Mostra da Música Contemporânea concluiu com Thiago Abdalla e Gustavo Fiel. Um magnífico concerto, precedido de uma conversa com o compositor Harry Crowl falando de sua obra, os caminhos da música e da educação musical, já que estamos no meio de uma saudável discussão em torno desse assunto.  

O repertório apresentado mostrou-nos o quanto a música está presente, seja na sua diversidade de tendências, de técnicas, porém livres para exprimir sua expressão da maneira como melhor achar conveniente. Ter a preocupação em tocar o público foi uma constante nos três concertos.

Em torno de Let’s Dance, Lembranças de Santos e Entre Cordas buscamos mostrar uma das faces da música contemporânea e suas leituras dos caminhos da linguagem musical, compactuando com a diversidade de nossos novos tempos. Tivemos a participação da magistral pianista belga Mireille Gleizes, num expressivo recital com obras do “comunitário” compositor Piotr Lachert, além da estréia mundial de Let’s Dance, de Dominique Dupraz. Um sensível e tocante momento que vivemos no palco do Teatro Guarany, através da coreografia de Sandra Alves e sua Vertice in Sana, transformada em gestos fortes, precisos e cúmplices, a sensibilidade da música do mais parisiense dos compositores franceses contemporâneos.

Lembranças de Santos marcou a homenagem à nova composição de Santos e à cidade, através da palheta sonora de nosso inesquecível Almeida Prado e sua Fantasia Litorânea. Sem falar na estréia de “Lars Hellstrom em Santos”, do mineiro-curitibano Harry Crowl, que sonorizou a odisséia de um marinheiro sueco perdidamente apaixonado por Santos, escondido durante seis meses na famosa “boca” portuária dos anos 50. Revelou-se-nos também uma nova face de nosso Zé Simonian e sua idílica versão para “Porto perto de santos que navego”. A Urubuqueçaba, de nosso mestre Gilberto Mendes e a precisa interpretação de Cibele Palopoli, uma instrumentista que chama atenção por sua energia e força interpretativa, seja com Roberto Martins, Ernesto Nazareth ou mesmo Luciano Berio. Dotada de uma curiosidade fantástica, Palopoli certamente terá um caminho promissor.

João Carlos Rocha é o retrato da nova geração de compositores desta cidade que tem o vírus da criatividade e invenção musical. Sua Nagarê mostra-nos um pianismo bem elaborado em sua simplicidade, mas com a dificuldade do detalhamento timbrístico. Timbre este que mostrou a obra de Gil Nuno Vaz, uma pérola a ser descoberta.

Leia o texto na íntegra aqui.

*Antonio Eduardo – Artefato Cultural

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