Drama francês é destaque no Cine Posto 4

O drama francês ‘Esses Amores’ estreia nesta sexta-feira (21), no Cine Arte Posto 4, e pode ser assistido até dia 27. Sob direção de Claude Lelouch, a narrativa apresenta as consequências de alguns romances vividos pela personagem Ilva (Audrey Dana), como o envolvimento com um soldado alemão que estaria ligado à morte de seu pai. Sessões às 16h, 18h30 e 21h. Ingressos: R$ 3,00.

Sinopse. Ilva Lemoine (Audrey Dana) é uma mulher fácil de se apaixonar. Em plena França dominada pelos alemães, durante a 2ª Guerra Mundial, ela se apaixona por um nazista, o que indiretamente leva à morte de seu pai. Posteriormente, já com a França libertada, ele precisa responder sobre sua ligação com o regime nazista e é salva por dois soldados americanos, um branco e um negro. Ilva se apaixona por ambos, simultaneamente. Sua incapacidade de escolher apenas um faz com que os até então amigos iniciem uma disputa particular.

Crítica – Marcelo Hessel. Godard já culpou Spielberg por transformar a Segunda Guerra em espetáculo, mas o cinema francês não está imune aos encantos do imaginário do conflito. Reverência à imagem americanizada é um dos princípios do filme mais recente do diretor Claude Lelouch (Crimes de Autor, A Coragem de Amar), que em português ganhou uma tradução literal do nome em francês, Esses Amores (Ces Amours-là).

O título em inglês, What War May Bring, é mais sugestivo. O que a guerra pode trazer? Para Ilva (Audrey Dana), lanterninha do cinema do tio em Paris, depois de alegrias e sofrimento em equilibrada medida, a guerra trouxe uma acusação de assassinato. No imediato pós-guerra, a francesa teria matado o seu marido, um soldado dos EUA, herdeiro de uma milionária empresa de máquinas de costura, que conheceu Ilva durante a libertação da capital.

Qual o motivo do crime? Até chegar nesse momento da revelação, Esses Amores faz uma longa digressão desde a criação do cinema, passando pelo primeiros filmes da propaganda nazista, até o balé dos para-quedistas do Dia D na Normandia. Há momentos de homenagem didática (o instante de um crime vem acompanhado de um pôster gigante de Hitchcock), de resgate visual (o campo de concentração de Technicolor) e de metalinguagem declarada (o soldado protagonista é o fotógrafo do pelotão).

O relato histórico coincide com a homenagem ao cinema, em geral, e ao cinema hollywoodiano, em particular – parte da memória afetiva dos cinéfilos da geração de Lelouch, que passaram a ter acesso aos filmes dos EUA na França justamente por conta da abertura do pós-guerra. Esses Amores começa e termina em nota autobiográfica, com o diretor falando de sua própria produção, mas o saldo não é só autoreferente nem só nostálgico; Lelouch vai além do saudosismo e faz um filme interessante sobre a sedução do espetáculo.

Isso fica mais agudo nas cenas que lidam diretamente com a dura memória do Holocausto – como a senhora judia que faz um monólogo desvairado no vagão do trem e é aplaudida pelas demais, ou o oficial nazista que conquista Ilva ao tocar a “Marselhesa” em uma escaleta – mas está presente também nos flashbacks, como o do índio que, espetacularmente, vence a corrida no Velho Oeste. São personagens entregues não apenas à paixão, os de Esses Amores, mas ao fascínio da performance.

É como se a ocupação nazista – que se apropria do cinema desde o advento do sonoro, como Lelouch sugere em um salto temporal – tivesse criado uma oferta de pessoas “doentes por arte”, dispostas a abraçar a ilusão não como escapismo, mas como um refúgio de fato. Uma geração patologicamente cinéfila.

*Prefeitura de Santos/Omelete/Cine Arte Posto 4

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